Todo mundo tem uma memória afetiva com papel kraft, né? Saco de pão? Embalagem? Caixa de encomenda? Fato é que ele pode ser um suporte bem diferente e gostosinho pra desenhar e escrever, e o tom pardo ajuda a trabalhar com lápis de cores claras para dar efeitos luminosos.
Arquivos: Elementos
Tecido africano estampado
Estranhamente famosos no Brasil pelo nome em inglês, wax print, esses tecidos de padrões marcantes são muito populares em países da África, em especial da África Ocidental. Em sua maior parte desenvolvidos a partir de uma técnica que usa cera para delimitar desenhos nos tecidos, cada padronagem é carregada de história e simbolismos tradicionais – que não vamos arriscar descrever aqui, com medo de errar. A real é que achamos lindíssimos e, se não fossem tão caros, faríamos muito mais cadernos com eles.
Papel marmorizado
Um processo quase mágico de deixar água levemente gelatinosa a ponto de tinta flutuar sobre ela em padrões variados, para então de maneira completamente irresponsável jogar uma folha de papel em cima e torcer pra dar certo (é mentira, tem mil detalhes técnicos pra isso funcionar). Os resultados são sempre únicos, apesar de nascerem de padrões de uma técnica que está presente na encadernação há séculos.
Encadernação em quarto
Quando você tem pouquíssimo material chique sobrando, faz uma encadernação em quarto: usa esse material bacana e resistente apenas na lombada, para deixar ela bem reforçada, enquanto o restante da capa recebe um material mais leve e decorativo, como tecido ou papel. Tem esse nome porque meia-encadernação supostamente cobre meio caderno com o material chique, então “em quarto” cobriria, bem, um quarto.
Meia-encadernação
Tem esse nome porque em tese metade da capa tem um material, metade tem outro. Em tese. Geralmente é um material mais resistente na lombada e nos cantos (ou lateral) da capa, e um revestimento mais delicado ganhando destaque no centro. Assim protege as áreas de maior desgaste, e fica parecendo um livro importantíssimo.
Capa dura simples
Aquilo que parece um livro e chamam de agendinha, mas se chamar assim a gente fica triste e cobra mais caro. É assim que a gente chama o caderno de capa dura mais tradicional: apenas um material revestindo as capas, de fora a fora, seja ele tecido ou papel. É o arroz com feijão do dia a dia (mas o nosso é muitíssimo bem temperado).
Costura exposta
Essa é pra mostrar o trabalho que dá pra costurar tudo (porque, de fato, dá muito trabalho costurar tudo). Dá pra dizer que todas as costuras expostas são variações do caderno copta, alterando os padrões de pontos e os meandros™ por onde a agulha passa.
Encadernação Belga
Criada por Anne Goy em 1986, que batizou a estrutura de crisscross binding: encadernação cruzada, mas algum gringo aprendeu com ela, chamou de ~belga secreta~ e a internet gostou desse nome. Chamamos de belga só pelo algoritmo e força do hábito, mas honramos a diva que criou essa beleza. Nesse caderno, as capas são costuradas separadamente, em uma estrutura separada do miolo, que é preso depois, por dentro, usando uma agulha curva, com muito suor e lágrimas. É uma costura exposta que também está no armário.
Caderno Copta
O Primeiro Caderno. Clássico que abre 180º e que foi criado há dois mil anos (os nossos são mais recentes). Tem esse nome porque foi criado por (adivinhe) coptas, no Egito, que queriam um jeito mais prático de consultar textos em vez de ficar desenrolando quilômetros de pergaminho. As folhas ficam mais relaxadas, e a abertura completamente plana é uma querida por desenhistas.
Capa costurada
O mais perto de um caderno medieval que você vai conseguir colocar na bolsa. E vai durar mais que ela. Criada nos anos 1980 por Gary Frost, as capas são costuradas (mais ou menos) junto com o miolo, deixando tudo absolutamente firme e permitindo muitas variações estéticas nesse entremeio.
